Beta Maria e o convite para todas as mulheres se apropriem de seus corpos, suas narrativas e seus direitos
"Sou uma grande curiosa e entusiasta da vida como um todo”, é assim que se define. Há quem a conheça como Roberta Maria de Pádua, mas para os que compartilham dos seus projetos ou das lutas que sustentam sonhos coletivos, ela é Beta.
Beta nasceu sob o signo da inquietação. De criança curiosa a estudante de design, sua jornada sempre foi pautada por um desejo de entender como as engrenagens do mundo se conectam. E não apenas entender, mas interferir nelas. “Sou apaixonada por observar e tentar compreender o funcionamento das dinâmicas sociais. E de certa forma isso ecoa no meu trabalho, na minha experiência como estudante de design, na minha atuação profissional como gestora e no meu raciocínio estratégico”, revela.
Foi assim que Beta Maria desenhou sua história no mercado de design e cultura, deixando sua marca em grandes agências e produtoras. Uma mulher trans vivendo sua transição há mais de uma década, a publicitária desafia as estatísticas. No Brasil, onde a expectativa de vida para pessoas trans ainda é brutalmente curta, ela se consolidou como executiva de comunicação, rompendo barreiras impostas por preconceitos estruturais.
“Estar viva, com acesso a cuidados médicos proporcionados por profissionais comprometidos com minha saúde e com o avanço dos estudos sobre a transgeneridade, é uma grande vitória. Esses avanços não só beneficiam mulheres trans, mas também trazem impactos positivos para a saúde de mulheres cis. Então, ocupar meu espaço na sociedade e no mercado de trabalho é algo que considero uma grande vitória. Perseverança e se entender como responsável pela mudança é a grande lição”, diz Beta, com a clareza de quem aprendeu que a luta nunca é apenas individual.
Quando questionada sobre suas ambições para o futuro, ela confessa um misto de esperança e ansiedade. "Há um certo desespero ao pensar nisso quando olhamos para o cenário atual e para onde estamos caminhando como sociedade. Mas, uma coisa que tenho aprendido com Marian Pires, minha liderança direta, parceira de trabalho e mentora: é priorizar fazer mais do que o falar, que o resto se encaminha", frisa.
Comunicação como ferramenta de transformação
Para Roberta, o setor de comunicação desempenha um papel de peso na promoção do autocuidado e da prevenção. Inspirada por Elizabeth Noelle-Neumann, ela acredita no poder da comunicação para iluminar questões invisíveis e criar conscientização: “ter o senso de responsabilidade e intencionalidade sobre a ferramenta que temos em mãos e como vamos utiliza-lá pode ter impactos inimagináveis.”
Sua visão transcende o ambiente corporativo, apontando caminhos para sensibilizar e educar, seja em conversas cotidianas, seja por meio de políticas institucionais. “Todas nós temos essa possibilidade, independente das nossas profissionais, posições sociais ou escalas de poder. Seja como multiplicadora de informação, das conversas de bar a implementação de abordagens institucionais; seja na implementação da cultura de impacto social nas empresas em que a gente opera ou até mesmo questionando os processos produtivos da nossa indústria que leva o câncer aos nossos hábitos de consumo”, reitera.
Cuidado em todos os sentidos
Quanto aos desafios que as mulheres enfrentam em relação ao autocuidado e prevenção do câncer de mama, ela destaca como a misoginia e os tabus que cercam o corpo feminino dificultam avanços no cuidado com a saúde das mulheres. Beta observa que o diagnóstico de câncer, cada vez mais comum, desafia sistemas médicos a abraçar uma abordagem mais inclusiva e interseccional. Segundo ela, o maior desafio – e também a maior conquista – das mulheres hoje é se apropriar do conhecimento sobre seus corpos, desmistificando conceitos enraizados e exigindo um olhar mais humano da ciência e da medicina.
Sobre seu papel como multiplicadora junto ao movimento MAMA, ela expressa: "enquanto mulher, há uma luta comum pelo direito de acesso ao conhecimento sobre nossos corpos e nossa saúde. Esse direito só será garantido quando conseguirmos assegurá-lo a todas as mulheres, em sua diversidade. O inimigo comum que nos aliena e impede o acesso a cuidados essenciais há tantos anos é o machismo e a misoginia institucional."
MAMA MAG é uma iniciativa do MAMA. Semanalmente, publicamos entrevistas e reportagens sobre assuntos que conectam arte, cultura, tecnologia, saúde e bem-estar.
Acompanhe nossa CURAdoria:
Beta Maria e o convite para todas as mulheres se apropriem de seus corpos, suas narrativas e seus direitos
"Sou uma grande curiosa e entusiasta da vida como um todo”, é assim que se define. Há quem a conheça como Roberta Maria de Pádua, mas para os que compartilham dos seus projetos ou das lutas que sustentam sonhos coletivos, ela é Beta.
Beta nasceu sob o signo da inquietação. De criança curiosa a estudante de design, sua jornada sempre foi pautada por um desejo de entender como as engrenagens do mundo se conectam. E não apenas entender, mas interferir nelas. “Sou apaixonada por observar e tentar compreender o funcionamento das dinâmicas sociais. E de certa forma isso ecoa no meu trabalho, na minha experiência como estudante de design, na minha atuação profissional como gestora e no meu raciocínio estratégico”, revela.
Foi assim que Beta Maria desenhou sua história no mercado de design e cultura, deixando sua marca em grandes agências e produtoras. Uma mulher trans vivendo sua transição há mais de uma década, a publicitária desafia as estatísticas. No Brasil, onde a expectativa de vida para pessoas trans ainda é brutalmente curta, ela se consolidou como executiva de comunicação, rompendo barreiras impostas por preconceitos estruturais.
“Estar viva, com acesso a cuidados médicos proporcionados por profissionais comprometidos com minha saúde e com o avanço dos estudos sobre a transgeneridade, é uma grande vitória. Esses avanços não só beneficiam mulheres trans, mas também trazem impactos positivos para a saúde de mulheres cis. Então, ocupar meu espaço na sociedade e no mercado de trabalho é algo que considero uma grande vitória. Perseverança e se entender como responsável pela mudança é a grande lição”, diz Beta, com a clareza de quem aprendeu que a luta nunca é apenas individual.
Quando questionada sobre suas ambições para o futuro, ela confessa um misto de esperança e ansiedade. "Há um certo desespero ao pensar nisso quando olhamos para o cenário atual e para onde estamos caminhando como sociedade. Mas, uma coisa que tenho aprendido com Marian Pires, minha liderança direta, parceira de trabalho e mentora: é priorizar fazer mais do que o falar, que o resto se encaminha", frisa.
Comunicação como ferramenta de transformação
Para Roberta, o setor de comunicação desempenha um papel de peso na promoção do autocuidado e da prevenção. Inspirada por Elizabeth Noelle-Neumann, ela acredita no poder da comunicação para iluminar questões invisíveis e criar conscientização: “ter o senso de responsabilidade e intencionalidade sobre a ferramenta que temos em mãos e como vamos utiliza-lá pode ter impactos inimagináveis.”
Sua visão transcende o ambiente corporativo, apontando caminhos para sensibilizar e educar, seja em conversas cotidianas, seja por meio de políticas institucionais. “Todas nós temos essa possibilidade, independente das nossas profissionais, posições sociais ou escalas de poder. Seja como multiplicadora de informação, das conversas de bar a implementação de abordagens institucionais; seja na implementação da cultura de impacto social nas empresas em que a gente opera ou até mesmo questionando os processos produtivos da nossa indústria que leva o câncer aos nossos hábitos de consumo”, reitera.
Cuidado em todos os sentidos
Quanto aos desafios que as mulheres enfrentam em relação ao autocuidado e prevenção do câncer de mama, ela destaca como a misoginia e os tabus que cercam o corpo feminino dificultam avanços no cuidado com a saúde das mulheres. Beta observa que o diagnóstico de câncer, cada vez mais comum, desafia sistemas médicos a abraçar uma abordagem mais inclusiva e interseccional. Segundo ela, o maior desafio – e também a maior conquista – das mulheres hoje é se apropriar do conhecimento sobre seus corpos, desmistificando conceitos enraizados e exigindo um olhar mais humano da ciência e da medicina.
Sobre seu papel como multiplicadora junto ao movimento MAMA, ela expressa: "enquanto mulher, há uma luta comum pelo direito de acesso ao conhecimento sobre nossos corpos e nossa saúde. Esse direito só será garantido quando conseguirmos assegurá-lo a todas as mulheres, em sua diversidade. O inimigo comum que nos aliena e impede o acesso a cuidados essenciais há tantos anos é o machismo e a misoginia institucional."
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