Iza Dezon: “passar pelo câncer de mama me ensinou a ver a vida mais leve e devagar”
Aos 18 anos, uma jovem carioca partiu do Brasil com o passaporte na mão e a curiosidade como guia. Londres, Milão e Paris foram suas moradas ao longo de uma década, onde estudou Styling e se especializou em beleza. Contudo, mais do que fotografar ou criar vitrines, Iza Dezon queria decifrar os comportamentos e desvendar os códigos daquilo que usamos para nos apresentar ao mundo.
Do universo da moda, com suas narrativas visuais e legado cultural, Iza fez a ponte para o futuro: tornou-se especialista em tendências de comportamento. Trabalhou em grandes marcas de luxo e, no auge de sua jornada internacional, juntou-se à Peclers Paris, uma das mais renomadas agências de previsão de tendências, antes de retornar ao Brasil em 2014 para abrir a filial da empresa.
Em 2018, sua própria empresa, a DEZON, nasceu, como um reflexo de sua inquietude. Hoje, com o apoio de uma equipe de 12 pessoas, ela mergulha no desafio de mapear e antecipar os movimentos que moldam a sociedade. Mas a narrativa de Iza, que já era rica em conquistas profissionais e projetos como o podcast Ciao Bela, ganhou novos contornos quando, em março de 2024, o câncer de mama entrou em cena.
A força na vulnerabilidade
“Atravessar o câncer de mama como CEO de uma empresa foi o maior de todos os desafios até agora. Workaholic, eu não tinha hobbies, o trabalho sempre foi um refúgio”, conta a empresária de 38 anos.
O diagnóstico veio rápido, quase como um presságio que ela sentiu antes mesmo da confirmação médica: “como queria engravidar, minha médica tinha solicitado alguns exames, dentre eles a mamografia. Ao avaliar o resultado, ela solicitou uma biópsia. Tive certeza, antes mesmo do resultado, de que estava com câncer”. A rotina frenética deu lugar a exames, uma cirurgia de quadrantectomia, sessões de quimioterapia, imunoterapia, hormonioterapia e radioterapia. Em meio a isso, Iza revisitou o desejo de ser mãe, enfrentou a necessidade de congelar óvulos e viu seu planejamento familiar ser reconfigurado.
“Ganhei na loteria dos afetos”, conta Iza, ao refletir sobre o apoio de sua mãe, madrinha, amigas e marido. A jornada trouxe estatísticas duras e realidades que muitos evitam encarar, mas também reforçou seu entendimento sobre as desigualdades. “Entendi mais ainda a discrepância de privilégios entre as pessoas que têm acesso à saúde de qualidade e quem acaba morrendo pelo câncer de mama, uma doença com altas chances de cura quando diagnosticada de forma precoce”, analisa.
Iza não apenas enfrentou o câncer, mas também mergulhou em um estudo sobre a doença, suas variantes e o impacto de hábitos cotidianos sobre a saúde feminina. “Eu era uma pessoa ativa e saudável, mas fui fumante por mais de 20 anos e muito baladeira. Um pouco de droga, um pouco salada, como dizem. Depois do diagnóstico, questionei a minha boêmia, por entender a conexão entre álcool e o câncer de mama, por exemplo”, relata. Ao refletir sobre antigos padrões, está buscando um estilo de vida mais leve, com foco na ginástica, na qualidade do sono e pausas na natureza sempre que possível. “Foi preciso desacelerar”, admite, ao refletir sobre como o câncer a ensinou a nutrir uma nova relação consigo mesma.
Em um episódio de seu podcast, anunciou uma campanha em parceria com a CARE Natural Beauty para reverter fundos ao projeto Pense Rosa da ONG Orientavida, usando sua plataforma para amplificar o acesso à informação e à prevenção.
MAMA MAG é uma iniciativa do MAMA. Semanalmente, publicamos entrevistas e reportagens sobre assuntos que conectam arte, cultura, tecnologia, saúde e bem-estar.
Acompanhe nossa CURAdoria:
Iza Dezon: “passar pelo câncer de mama me ensinou a ver a vida mais leve e devagar”
Aos 18 anos, uma jovem carioca partiu do Brasil com o passaporte na mão e a curiosidade como guia. Londres, Milão e Paris foram suas moradas ao longo de uma década, onde estudou Styling e se especializou em beleza. Contudo, mais do que fotografar ou criar vitrines, Iza Dezon queria decifrar os comportamentos e desvendar os códigos daquilo que usamos para nos apresentar ao mundo.
Do universo da moda, com suas narrativas visuais e legado cultural, Iza fez a ponte para o futuro: tornou-se especialista em tendências de comportamento. Trabalhou em grandes marcas de luxo e, no auge de sua jornada internacional, juntou-se à Peclers Paris, uma das mais renomadas agências de previsão de tendências, antes de retornar ao Brasil em 2014 para abrir a filial da empresa.
Em 2018, sua própria empresa, a DEZON, nasceu, como um reflexo de sua inquietude. Hoje, com o apoio de uma equipe de 12 pessoas, ela mergulha no desafio de mapear e antecipar os movimentos que moldam a sociedade. Mas a narrativa de Iza, que já era rica em conquistas profissionais e projetos como o podcast Ciao Bela, ganhou novos contornos quando, em março de 2024, o câncer de mama entrou em cena.
A força na vulnerabilidade
“Atravessar o câncer de mama como CEO de uma empresa foi o maior de todos os desafios até agora. Workaholic, eu não tinha hobbies, o trabalho sempre foi um refúgio”, conta a empresária de 38 anos.
O diagnóstico veio rápido, quase como um presságio que ela sentiu antes mesmo da confirmação médica: “como queria engravidar, minha médica tinha solicitado alguns exames, dentre eles a mamografia. Ao avaliar o resultado, ela solicitou uma biópsia. Tive certeza, antes mesmo do resultado, de que estava com câncer”. A rotina frenética deu lugar a exames, uma cirurgia de quadrantectomia, sessões de quimioterapia, imunoterapia, hormonioterapia e radioterapia. Em meio a isso, Iza revisitou o desejo de ser mãe, enfrentou a necessidade de congelar óvulos e viu seu planejamento familiar ser reconfigurado.
“Ganhei na loteria dos afetos”, conta Iza, ao refletir sobre o apoio de sua mãe, madrinha, amigas e marido. A jornada trouxe estatísticas duras e realidades que muitos evitam encarar, mas também reforçou seu entendimento sobre as desigualdades. “Entendi mais ainda a discrepância de privilégios entre as pessoas que têm acesso à saúde de qualidade e quem acaba morrendo pelo câncer de mama, uma doença com altas chances de cura quando diagnosticada de forma precoce”, analisa.
Iza não apenas enfrentou o câncer, mas também mergulhou em um estudo sobre a doença, suas variantes e o impacto de hábitos cotidianos sobre a saúde feminina. “Eu era uma pessoa ativa e saudável, mas fui fumante por mais de 20 anos e muito baladeira. Um pouco de droga, um pouco salada, como dizem. Depois do diagnóstico, questionei a minha boêmia, por entender a conexão entre álcool e o câncer de mama, por exemplo”, relata. Ao refletir sobre antigos padrões, está buscando um estilo de vida mais leve, com foco na ginástica, na qualidade do sono e pausas na natureza sempre que possível. “Foi preciso desacelerar”, admite, ao refletir sobre como o câncer a ensinou a nutrir uma nova relação consigo mesma.
Em um episódio de seu podcast, anunciou uma campanha em parceria com a CARE Natural Beauty para reverter fundos ao projeto Pense Rosa da ONG Orientavida, usando sua plataforma para amplificar o acesso à informação e à prevenção.
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