Lucie Alessi: arte, corpo e sensibilização social
Idealizadora do MAMA situa a comunicação como peça central para a prevenção do câncer de mama
Não é à toa que o termo cultura vem do latim "colere", que significa cuidado. É um resgate a esse senso ampliado de cuidado que a arte ocupa dentro do MAMA.
Como head de relacionamentos do movimento, Lucie Alessi acredita que a arte, em suas múltiplas facetas, tem o poder de mobilizar e atuar como vetor de consciência sobre saúde, prevenção e bem-viver. Vai além de uma expressão individual, é força e vetor de sensibilização social.
É a sensibilidade que desperta percepções, emoções, ideias, questionamentos e ideias, que transbordam em cultura. "A arte deste tempo que vivemos, da pós-contemporaneidade, precisa estar atenta e se conectar com temáticas sociais, comunitárias, relacionais e participativas. Precisa ter um caráter multidisciplinar e transdisciplinar", enfatiza a co-fundadora do MAMA.
Inspirada pelas artistas Louise Bourgeois, Hilma af Klint, Georgia O'Keeffe, Anna Maiolino e Ana Mendieta, Lucie percebe a força propositiva do MAMA. Artes cênicas, visuais, performáticas e até mesmo a moda, entre outros territórios culturais, que nos convidam à expansão do sentir, a interagir e ressignificar a saúde, bem estar e autocuidado, para nos percebermos e humanizarmos cada vez mais.
“Em um país tão desigual quanto o Brasil, dificilmente outras ações-forças são tão eficientes quanto o papel da arte. O artista – e seu trabalho – geram expressão, luzes, mudanças e microrrevoluções. O artista e a sua visão social são fundamentais para o desenvolvimento intelectual, o pensamento crítico, a educação e o desenvolvimento da cultura”.
“O artista e a criatividade servem à sociedade como ferramentas de crescimento, não só intelectual, mas de engrandecimento do ser humano”. É essa visão social e expandida do fazer artístico que norteia a atuação de Lucie Alessi. Sua paixão pela arte se entrelaça com a causa da saúde feminina - o câncer de mama neste caso, trazendo consigo uma mensagem poderosa de conscientização, cura e transformação com intuito de gerar conexões e impacto.
Sua carreira começou no Direito, onde se interessou pela área autoral. O contato com as questões de propriedade intelectual suscitou uma vontade de estar mais perto da arte. Isso se desdobrou em um mestrado em gestão de projetos culturais pela Universidade de Lisboa, no aprofundamento em Art Law pela prestigiosa Sotheby's, e em Art Business, Curadoria e História da Arte pela EBAC/SP.
Em meio a essa jornada, surge a "Toda”, uma art label que se posiciona não apenas como um facilitador, mas também como um pilar de assessoria para artistas, criadores, talentos criativos e instituições do meio. A atuação abrange desde a promoção do trabalho artístico até a prestação de consultoria estratégica, consolidando-se como uma parceira essencial no fomento e fortalecimento do cenário cultural.
Os elos entre arte e ciência
“A arte e a ciência tornam o invisível, visível”, definiu Paul Klee. O artista expressionista já traçava um paralelo entre as duas áreas que mais versam sobre corpo, movimento, saúde e doença.
Diferente do que se possa imaginar, a separação entre arte e ciência é um fato relativamente recente. Surge com Descartes e continua na modernidade, onde se estrutura uma divergência que, por vezes, opõe o saber científico ao saber artístico.
Mas como a arte pode ajudar a ciência na compreensão da saúde e da doença? Como os dois saberes podem ser integrados? A realidade pode ser investigada não apenas pelo método científico, mas também pela criatividade?
Os artistas – seja através da fantasia e da imaginação, ou mesmo com a descrição das suas vivências e das emoções por elas suscitadas – têm testemunhado a relação mutável e constante do ser humano com o seu próprio corpo.
Assim, a arte se torna uma ferramenta para entender não só a doença, o sofrimento e os medos, mas também a saúde, a qualidade de vida e o bem-viver. É uma atitude receptiva-ativa, uma troca que se dá entre fronteiras: o individual e o coletivo, o inconsciente e o consciente.
“É necessário se espantar, se indignar e se contagiar, só assim é possível mudar a realidade”, defendia Nise da Silveira, que dignificou o tratamento psiquiátrico no Brasil através da arte. É a arte, não apenas como equipamento cultural, mas veículo educativo e relacional, que o MAMA se propõe a conectar com a saúde.
"Acredito que a arte, em suas múltiplas linguagens, seja um convite para expandirmos nossa percepção e humanizarmos cada vez mais o campo da saúde".
MAMA MAG é uma iniciativa do MAMA. Semanalmente, publicamos entrevistas e reportagens sobre assuntos que conectam arte, cultura, tecnologia, saúde e bem-estar.
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Marcela Cantuária: “A arte precisa ser porosa, saber se envolver em diferentes assuntos profundamente”.
Idealizadora do MAMA situa a comunicação como peça central para a prevenção do câncer de mama
Não é à toa que o termo cultura vem do latim "colere", que significa cuidado. É um resgate a esse senso ampliado de cuidado que a arte ocupa dentro do MAMA.
Como head de relacionamentos do movimento, Lucie Alessi acredita que a arte, em suas múltiplas facetas, tem o poder de mobilizar e atuar como vetor de consciência sobre saúde, prevenção e bem-viver. Vai além de uma expressão individual, é força e vetor de sensibilização social.
É a sensibilidade que desperta percepções, emoções, ideias, questionamentos e ideias, que transbordam em cultura. "A arte deste tempo que vivemos, da pós-contemporaneidade, precisa estar atenta e se conectar com temáticas sociais, comunitárias, relacionais e participativas. Precisa ter um caráter multidisciplinar e transdisciplinar", enfatiza a co-fundadora do MAMA.
Inspirada pelas artistas Louise Bourgeois, Hilma af Klint, Georgia O'Keeffe, Anna Maiolino e Ana Mendieta, Lucie percebe a força propositiva do MAMA. Artes cênicas, visuais, performáticas e até mesmo a moda, entre outros territórios culturais, que nos convidam à expansão do sentir, a interagir e ressignificar a saúde, bem estar e autocuidado, para nos percebermos e humanizarmos cada vez mais.
“O artista e a criatividade servem à sociedade como ferramentas de crescimento, não só intelectual, mas de engrandecimento do ser humano”. É essa visão social e expandida do fazer artístico que norteia a atuação de Lucie Alessi. Sua paixão pela arte se entrelaça com a causa da saúde feminina - o câncer de mama neste caso, trazendo consigo uma mensagem poderosa de conscientização, cura e transformação com intuito de gerar conexões e impacto.
Sua carreira começou no Direito, onde se interessou pela área autoral. O contato com as questões de propriedade intelectual suscitou uma vontade de estar mais perto da arte. Isso se desdobrou em um mestrado em gestão de projetos culturais pela Universidade de Lisboa, no aprofundamento em Art Law pela prestigiosa Sotheby's, e em Art Business, Curadoria e História da Arte pela EBAC/SP.
Em meio a essa jornada, surge a "Toda”, uma art label que se posiciona não apenas como um facilitador, mas também como um pilar de assessoria para artistas, criadores, talentos criativos e instituições do meio. A atuação abrange desde a promoção do trabalho artístico até a prestação de consultoria estratégica, consolidando-se como uma parceira essencial no fomento e fortalecimento do cenário cultural.
Os elos entre arte e ciência
“A arte e a ciência tornam o invisível, visível”, definiu Paul Klee. O artista expressionista já traçava um paralelo entre as duas áreas que mais versam sobre corpo, movimento, saúde e doença.
Diferente do que se possa imaginar, a separação entre arte e ciência é um fato relativamente recente. Surge com Descartes e continua na modernidade, onde se estrutura uma divergência que, por vezes, opõe o saber científico ao saber artístico.
Mas como a arte pode ajudar a ciência na compreensão da saúde e da doença? Como os dois saberes podem ser integrados? A realidade pode ser investigada não apenas pelo método científico, mas também pela criatividade?
Os artistas – seja através da fantasia e da imaginação, ou mesmo com a descrição das suas vivências e das emoções por elas suscitadas – têm testemunhado a relação mutável e constante do ser humano com o seu próprio corpo.
Assim, a arte se torna uma ferramenta para entender não só a doença, o sofrimento e os medos, mas também a saúde, a qualidade de vida e o bem-viver. É uma atitude receptiva-ativa, uma troca que se dá entre fronteiras: o individual e o coletivo, o inconsciente e o consciente.
A arte (da) cura
“Eu acredito que a arte precisa ser porosa, saber se envolver em diferentes assuntos profundamente”, destaca. É essa motivação que conecta o trabalho de Marcela ao MAMA.
“Eu fico muito honrada de usar meu trabalho como ferramenta de empoderamento para mulheres que enfrentam a luta contra o câncer de mama. É legal ver o trabalho alcançando lugares prospectivos além da inspiração, a própria emancipação”.
Hoje, a sua arte colore a visão e aflora o sentir dos pacientes do Hospital de Clínicas de São Paulo. O oratório que desenvolveu para o lançamento do álbum “Portas”, da cantora Marisa Monte, é um espaço acolhedor de leitura, música e imaginação. “É legal perceber como a arte pode ser uma grande aliada da cura”, reforça.
O presente-futuro em perspectiva
A obra de Marcela está representada em várias coleções, incluindo Pérez Art Museum Miami (EUA), Museu de Arte de São Paulo (BR), Assis Chateaubriand MAC-PE (BR), Pinacoteca do Estado de São Paulo (BR), Museu da Maré, RJ (BR).
Há pouco, a artista plástica participou de uma residência artística na L’airs, em Paris. Sua conexão com a cerâmica levou-a também a Portugal, na Bordallo Pinheiro, onde experimentou novas técnicas e materiais em suas criações. Atualmente, suas obras também podem ser apreciadas em uma exposição individual na Galeria Insofar, em Lisboa.
"Eu quero continuar fazendo arte pra sempre, construindo novos mundos com a pintura, que seja faísca para realizações coletivas e que eu consiga promover muitas mobilizações com a arte”.
MAMA MAG é uma iniciativa do MAMA. Semanalmente, publicamos entrevistas e reportagens sobre assuntos que conectam arte, cultura, tecnologia, saúde e bem-estar.
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