Samira Machado: “Sinto que posso falar com um público que não é coberto pelas políticas de rastreamento, que não sabe o que fazer para se prevenir”
Mineira de Caratinga, Samira Machado cresceu cercada por histórias de persistência, característica que moldaria sua trajetória na medicina. Foi na Universidade Federal de Juiz de Fora, entre estágios e plantões, que ela encontrou seu caminho na oncologia. Mas o destino – e o bisturi – a conduziram para um campo ainda mais específico: a cirurgia oncológica. "Nos estágios, tive o meu primeiro contato com a cirurgia oncológica. Eu me apaixonei! Encontrei a minha vocação, e uni ao meu desejo de ser oncologista", relembra.
Seu objetivo era claro: A.C. Camargo, um dos principais centros de referência em oncologia do país. Para chegar lá, escolheu São Paulo como nova casa, cumpriu a exigência da cirurgia geral no Hospital Mandaqui e, finalmente, conquistou a tão almejada especialização em oncocirurgia. O foco era a oncoginecologia, mas, no consultório, as pacientes que chegavam tinham outra demanda: o câncer de mama.
Paralelamente, no interior de Minas Gerais, uma prima sua recebia o diagnóstico da doença, aos 38 anos, e sentia a carência de especialistas na região. "Você precisa cuidar das mamas", insistiu a prima. Samira ouviu. “De certo forma, ela foi uma grande incentivadora e me fez olhar e reavaliar com mais carinho a área da oncologia que eu deveria atuar”, complementa. Veio então um novo mergulho acadêmico. Uma segunda especialização, agora em mastologia, mais uma vez no A.C. Camargo.
Se antes o bisturi lhe dava a possibilidade de cuidar da paciente ao lidar com a doença, agora a informação tornou-se uma ferramenta igualmente poderosa. “Para mim, é um prazer participar do MAMA. Acredito que todos nós podemos somar e contribuir para levar informação de qualidade, usando cada um a sua voz e a sua autoridade em relação ao conhecimento que possui”, visualiza.
Quebrar as barreiras do consultório
O diagnóstico precoce pode salvar vidas, mas depende de acesso, de diálogo, de conhecimento compartilhado. "Sinto que posso falar com um público maior, que não é coberto pelas políticas de rastreamento, e que muitas vezes não sabe o que fazer para se prevenir e cuidar. Digo que é como quebrar as barreiras das paredes do consultório. Além disso, é uma forma de honrar a memória da minha prima, que por falta de informação e conscientização, teve um diagnóstico mais tardio”, recorda Samira.
As barreiras são diversas. Há quem só busque ajuda após sentir algo palpável. Há quem não se veja no perfil da doença – até que um diagnóstico na família ou de alguma amiga mude tudo. Há, sobretudo, uma estrutura social que dificulta o cuidado preventivo. “São múltiplos desafios, a depender da idade e classe social a que pertencem”, pondera.
Para Samira, a medicina é mais do que um ofício, é um compromisso com vidas e histórias que cruzam seu caminho. Em um cenário onde o cuidado muitas vezes chega tarde demais, iniciativas como o MAMA tornam-se essenciais para disseminar conhecimento e fortalecer a autonomia feminina. A medicina, nesse contexto, não se limita à técnica – ela é um ato de escuta, acolhimento e compromisso com o futuro.
MAMA MAG é uma iniciativa do MAMA. Semanalmente, publicamos entrevistas e reportagens sobre assuntos que conectam arte, cultura, tecnologia, saúde e bem-estar.
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Mineira de Caratinga, Samira Machado cresceu cercada por histórias de persistência, característica que moldaria sua trajetória na medicina. Foi na Universidade Federal de Juiz de Fora, entre estágios e plantões, que ela encontrou seu caminho na oncologia. Mas o destino – e o bisturi – a conduziram para um campo ainda mais específico: a cirurgia oncológica. "Nos estágios, tive o meu primeiro contato com a cirurgia oncológica. Eu me apaixonei! Encontrei a minha vocação, e uni ao meu desejo de ser oncologista", relembra.
Seu objetivo era claro: A.C. Camargo, um dos principais centros de referência em oncologia do país. Para chegar lá, escolheu São Paulo como nova casa, cumpriu a exigência da cirurgia geral no Hospital Mandaqui e, finalmente, conquistou a tão almejada especialização em oncocirurgia. O foco era a oncoginecologia, mas, no consultório, as pacientes que chegavam tinham outra demanda: o câncer de mama.
Paralelamente, no interior de Minas Gerais, uma prima sua recebia o diagnóstico da doença, aos 38 anos, e sentia a carência de especialistas na região. "Você precisa cuidar das mamas", insistiu a prima. Samira ouviu. “De certo forma, ela foi uma grande incentivadora e me fez olhar e reavaliar com mais carinho a área da oncologia que eu deveria atuar”, complementa. Veio então um novo mergulho acadêmico. Uma segunda especialização, agora em mastologia, mais uma vez no A.C. Camargo.
Se antes o bisturi lhe dava a possibilidade de cuidar da paciente ao lidar com a doença, agora a informação tornou-se uma ferramenta igualmente poderosa. “Para mim, é um prazer participar do MAMA. Acredito que todos nós podemos somar e contribuir para levar informação de qualidade, usando cada um a sua voz e a sua autoridade em relação ao conhecimento que possui”, visualiza.
Quebrar as barreiras do consultório
O diagnóstico precoce pode salvar vidas, mas depende de acesso, de diálogo, de conhecimento compartilhado. "Sinto que posso falar com um público maior, que não é coberto pelas políticas de rastreamento, e que muitas vezes não sabe o que fazer para se prevenir e cuidar. Digo que é como quebrar as barreiras das paredes do consultório. Além disso, é uma forma de honrar a memória da minha prima, que por falta de informação e conscientização, teve um diagnóstico mais tardio”, recorda Samira.
As barreiras são diversas. Há quem só busque ajuda após sentir algo palpável. Há quem não se veja no perfil da doença – até que um diagnóstico na família ou de alguma amiga mude tudo. Há, sobretudo, uma estrutura social que dificulta o cuidado preventivo. “São múltiplos desafios, a depender da idade e classe social a que pertencem”, pondera.
Para Samira, a medicina é mais do que um ofício, é um compromisso com vidas e histórias que cruzam seu caminho. Em um cenário onde o cuidado muitas vezes chega tarde demais, iniciativas como o MAMA tornam-se essenciais para disseminar conhecimento e fortalecer a autonomia feminina. A medicina, nesse contexto, não se limita à técnica – ela é um ato de escuta, acolhimento e compromisso com o futuro.
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